• Daniel Renattini

De Dragon Ball até a literatura


Pegue um chá, um café, uma cerveja ou nada. Quero te contar uma historinha sobre um menino de doze anos que detestava ler (e escrever!) descobriu o amor pela literatura com o passar dos anos.


Como o próprio título sugere, tudo isso começou, basicamente, com Dragon Ball. Meu primo e eu éramos dois viciados nesse anime*. Com tanta energia e sonhos já acumulados, pensamos “ei, por que não fazemos um jogo de cartas de Dragon Ball? Aí tentamos um contato com a Panini e vai ser um sucesso!”.


Olha... não preciso dizer que não deu certo, né? Mas a trajetória foi empolgante. Eu, que sabia desenhar praticamente só personagens de Dragon Ball, comecei a produzir em papel cartão, e meu primo me ajudava com a lista dos lutadores e as respectivas habilidades. Pensamos em um sistema parecido com o Cardgame de Pokémon, que achávamos relativamente simples.


Chegava da escola e já ia desenhar. Terminava de fazer lição e ia desenhar. Foi assim por bons dias. Ver aquela pilha de desenhos em papel cartão aumentando a cada dia foi uma coisa linda. Só faltava a Panini, né? Todas as artes de Goku, Vegeta e companhia seria um jogo de sucesso.


Mesmo sem todas as ilustrações feitas, chegamos na minha tia, mostramos e contamos a nossa ideia. Ela disse:


“Então... é que essa história já existe. Isso não pode, né?”


Na época, se havia uma palavra que não conhecíamos, essa com certeza era chamada de “plágio”. É, abandonamos a ideia. Nosso amor por Dragon Ball não seria o suficiente pra situação.


Depois de alguns dias ou semanas, não lembro bem, tentei pensar em um novo jogo, com personagens criados por mim. Nada veio. Mas uma luz fez o meu cosmo se elevar. Pra quem não pegou a referência, falo d’Os Cavaleiros do Zodíaco. Calma, não teve plágio. Na mesma época eu colecionava um álbum. Eis que um antigo namorado da minha mãe, pra fazer meu dia mais feliz, me trouxe um monte de figurinhas e disse que o cara da banca tinha rido da cara dele, que perguntou se tinha figurinhas dos “Cavaleiros do Apocalipse”.


Enquanto eu ria da história, uma ideia começou a se formar na minha cabeça. Esse seria o nome do jogo: Os Cavaleiros do Apocalipse. Os desenhos de cartas em papel cartão retornaram. Agora a Panini não teria escapatória!


Fiz algumas cartas e mostrei pra tia de novo. Ela não poderia responder outra coisa que não fosse “É isso mesmo que a Panini vai querer”. É... foi bem diferente disso.


“Ah, legal. Só que todo jogo precisa de uma história, né?”


Eu não consigo lembrar qual foi a minha reação, mas deve ter sido mais ou menos assim:










Como dito no começo, eu detestava ler e nem conseguia imaginar como escreveria uma história. Já com treze anos, fui assistir Eragon. Fiquei tão empolgado que minha mãe me deu o livro de presente. O pensamento de “odeio ler” simplesmente sumiu de uma hora pra outra e acabei a leitura em menos de duas semanas. Há quem critique a narrativa de Eragon, mas, apesar de tudo, foi a primeira história que me deu uma nova perspectiva.


O título Os Cavaleiros do Apocalipse avançou até a página quatro, talvez cinco. No fim das contas, descartei a história e iniciei o que viria a ser meu primeiro manuscrito, chamado O Cavaleiro da Glória, mas isso é uma história para um outro dia.


Ok, Dragon Ball não foi o único responsável por tudo que aconteceu, mas com certeza foi o principal. Cavando ainda mais fundo, hoje posso entender melhor qual foi o gatilho que disparou tudo isso. Não importa se você ama Dragon Ball, super-heróis, detetives, guerreiras amazonas, o moço dos churros... O que importa é o que você faz com esse amor. Onde você o libera.


O amor pela fantasia.


*Só pra constar, ainda somos viciados em Dragon Ball. Talvez mais do que antes.

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