• Daniel Renattini

#4 - Papo com os Fantásticos - Anatole


Olá, amantes da vida e da morte! Cá estamos para a quarta edição do Papo com os Fantásticos, a primeira de 2019.


O entrevistado da vez é Anatole, conhecido como o pássaro da morte. Venham conhecer essa criatura sombria e ao mesmo tempo cheia de charme. Nosso papo regado a vinho foi super descontraído e ainda estou vivo.


Vamos nessa?

Daniel Renattini: Como vai, senhor Anatole? Permite a este mortal chamá-lo de Ani?

Anatole: Chame-me do que melhor lhe agradar. Acredito que seja mais confortável, não é mesmo? Considerando que costumo vir sem avisar.


D: Eu te ofereceria um chá ou café, mas eu odeio os dois e sempre esqueço de comprar pras visitas. Que tal um vinho? Ou apenas seu amigo poeta Douglas Giorelli que gosta?

A: Vinho está ótimo. Eu não era afeito à tais coisas cotidianas, antes de conhecer Douglas, digo.


D: Um brinde a essa entrevista. Saúde.

A: *silêncio*


D: Conte-nos como é ser um pássaro da morte. O que você faz exatamente? Gosta dessa profissão? É possível ganhar dinheiro com isso?

A: Não se trata absolutamente de uma profissão. Ser um Pássaro da Morte é o que sou. Não preciso de dinheiro, esse tipo de coisa só é útil a quem tem algo a negociar. Já viu alguém barganhar com um ceifador, Sr. Entrevistador? O mesmo vale para o que faço, que importância teria descrever tal coisa agora, compreende?


D: Estou curioso. Em forma humana você parece tão jovem. Qual é a sua idade, Ani?

A: Sou jovem, sempre fui e sempre serei. Não existe tempo.


D: Pode me mostrar sua forma verdadeira? (Tomo mais um gole de vinho)

A: *silêncio*


(Após engasgar com o vinho, agora estou gritando de fascínio ao ver as asas de Anatole se abrirem e ele revelar sua verdadeira forma. Estou bem menos calmo do que pareço ao escrever este trecho, pois lembrei que tenho medo de pássaros).


D: Uau, essa foi de tirar o fôlego. Obrigado pela experiência. A propósito, há quanto tempo você atua nesse ramo?

A: Desde que me lembro. De outra forma eu seria outra coisa? Sou o que não, do contrário, não seria, não é mesmo?


D: Há outros pássaros da morte? Ou apenas você?

A: Há mais do que você ousaria suspeitar.


D: Não sei se você sabe, mas uma vez me pediram pra fazer uma escultura sua na forma verdadeira. Olha só.

Te pagaram royalties por isso?

A: Parece-me acurada, embora, claro, não cause o devido efeito. Mas acredito que nem poderia. Diga-me, isto foi ideia de Douglas, não foi? Bem me parece. Não faço ideia do que seja um royaltie.


D: Você deveria aparecer mais por aqui. Tenho certeza que já tem até um fã clube doido pra te conhecer. Inclusive, você tira férias? O que gosta de fazer quando não está sendo... bom... o pássaro da morte?

A: Ora, eu apareço muito por aqui. Acontece que, frequentemente, trata-se de uma visita única e exclusiva. Aprecio perambular pelas cidades dos homens, em seus cemitérios e entre vielas apinhadas. Gosto de especular sobre tudo o que vocês fazem na tentativa de evitar, bem, a minha chegada.


D: O que você descreveria como um dia perfeito?

A: Que tipo de pergunta é essa? Bem, um bom momento vem acompanhado de Safira e pó de Erix.


D: Qual é o seu maior medo? Se é que o pássaro da morte teme alguma coisa.

A: Temo deixar de ser o que sou, pois então, neste caso, talvez eu deixasse de fato de ser quem sou. Curioso, não?


D: Gostaria de deixar algum recado para os leitores dessa entrevista?

A: Como dizem mesmo? Ah, sim: não me esperem sentados.


D: Ani, muito obrigado pela entrevista. Apareça quando quiser. A casa é sua.

A: Agradeço a gentileza. Creio que nos veremos novamente.

Se quer conhecer mais sobre Anatole, o pássaro da morte, você pode encontrá-lo em O Réquiem do Pássaro da Morte (escrito por Andrio Santos), neste link.

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