• Daniel Renattini

#3 - Papo com os Fantásticos - Otto


E aí, pessoas desta e de outras realidades! Chegamos à terceira edição de Papo com os Fantásticos.


O terceiro entrevistado se chama Otto, um rapaz de São Paulo. Só que de uma São Paulo de outra realidade. Algumas coisas bizarras têm acontecido no seu mundo. Pessoas estão, literalmente, desaparecendo, mas preferi não abordar esse assunto na entrevista para não chatear o Otto. Conversamos sobre coisas mais leves. Ainda assim, vocês podem conferir um pouco a respeito da São Paulo da outra realidade.

Vamos lá?


Daniel Renattini: E aí, Otto, beleza? Valeu por aceitar o convite.

Otto: Eu que agradeço! O Lacerda, meu agente, disse que você ia entrar em contato.


D: Foi um tal de Thiago Lee que contou sobre você e queria trocar uma ideia. Conte um pouco sobre você. Com o que trabalha? De quais músicas gosta? O que curte fazer?

O: Ah, mano, eu trabalho numa empresa de atendimento online. Eu tenho que ficar dando suporte técnico pros usuários do sistema da empresa, mas sinceramente eu não vejo a hora de sair desse lugar, meu chefe é um porre. Eu curto mais fazer vídeo pro meu canal e ficar na internet de boas. Em relação a música, gosto principalmente de pop e de hip hop. Meus rappers favoritos são o Deco e o MC Furgão, mas acho que na sua São Paulo vocês não conhecem eles. Dois artistas que curto e que talvez você reconheça são o Criolo e o Emicida.


D: Soubemos que você tem um canal no YouTube, o “Canal do Otto”. Poderia nos contar um pouco a respeito?

O: Ainda é um canal pequeno, saca? Mas eu gosto de falar sobre a vida na periferia e sobre música. Porém, desde que eu consegui um agente, ele tem me orientado a falar só sobre meu cotidiano mesmo, sem entrar em assuntos polêmicos, pra ganhar mais seguidores e visualizações. Fazer o quê, né?


D: Qual você acha que é a coisa mais importante na vida de uma pessoa?

O: Ser reconhecido. Do que adianta você ser foda mas ninguém estar nem aí pra você ou te apoiar nas suas decisões?


D: Vou ser franco com você. Eu sei sobre o seu “irmão gêmeo”, o Otávio da São Paulo do Lado de Lá. Ei, pera, não precisa me olhar com espanto. Pode ficar tranquilo, tá? Essa realidade em que estamos agora é segura para você contar o que quiser.

O: Ainda não me acostumei com esse negócio de lado de lá e lado de cá. Será que tem mais um Otávio nessa sua realidade?


D: Poderia descrever a sensação que é estar na São Paulo do Lado de Lá? Quais as diferenças, exatamente?

O: Cara, eu nunca usei drogas, mas imagino que seja essa a sensação. É como se a cidade estivesse viva e respondesse aos meus pensamentos. Você olha para as pessoas na rua e elas te olham de volta, mas não com desconfiança. Quando eu estou do Lado de Lá, eu não sou mais uma pessoa na multidão. Eu importo.


D: Acredita que possa haver outras realidades além da sua e do Otávio?

O: Bom, estamos nessa sua realidade, né? Como é a São Paulo por aqui? É triste e fria como a minha? Ou colorida e vibrante, como o Lado de Lá? Pela sua cara, dá pra ver que não parece uma realidade muito animadora.


D: Você e seu duplo, o Otávio, acabaram criando um laço de amizade em muito pouco tempo. Vocês mantêm contato ou pretendem se ver de novo?

O: Eu confesso que fiquei muito desconfiado no início, mas tem sido legal ver como as coisas poderiam ter sido diferentes. Abrir a minha mente, saca? Eu não quero interferir muito nos assuntos dele, e sei que é complicado ficar indo e voltando, mas se ele aparecer de novo por aqui não vou achar ruim. O pior é que sempre que me olho no espelho, sempre acho que é o Otávio, e não o meu reflexo.


D: Se você pudesse dar um recado para as pessoas de outras realidades, o que diria?

O: Se importem com as outras pessoas. Não deixem que elas sumam da sua realidade. Às vezes quem tá do seu lado esconde um segredo ou uma tristeza e não tem coragem de mostrar para o mundo.


D: Valeu pela entrevista, Otto. E manda um abraço pro Otávio, se o vir.

O: Eu que agradeço! Depois fala com o Lacerda que ele agita uma gravação lá na minha São Paulo, você precisa conhecer. E se eu falar pro Otávio que vim para essa realidade aqui e não avisei, ele vai ficar puto da vida.

Caso queira saber mais sobre o Otto e sobre essa São Paulo do Lado de Lá, podem conferir em O Homem Vazio (escrito por Thiago Lee), em versão física e digital.

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