• Daniel Renattini

#2 - Papo com os Fantásticos - Benjamin


Olá, pessoal! Estamos de volta com a segunda edição de Papo com os Fantásticos, uma série de entrevistas nada normais.


Nosso segundo entrevistado é Benjamin, um garoto de dezessete anos que mora na capital paulista. No entanto, como estamos no Papo com os Fantásticos, é óbvio que ele não é um rapaz comum. Benjamin é o receptáculo de Hades. Traduzindo: o garoto divide o corpo com o deus do mundo inferior. Nesse caso, haverá dois entrevistados de uma só vez.


Aqui vamos nós!


Daniel Renattini: Como vai, Benjamin?

Benjamin: Oi! Estou ótimo. E você?

Hades: “Por Zeus! Tá me fazendo passar vergonha já na primeira pergunta?”

B: O que eu fiz?

H: “Fala imponente, imbecil!”

B: Cara, ele só perguntou...

H: “Eu ouvi a pergunta. Ou esqueceu que eu divido essa ratoeira com você?”

B: Para de chamar meu corpo de ratoeira!

H: “Atlas e Prometeu eram felizes e não sabiam.”

B: Quem?

H: “#@&%#@. Vamos pra próxima pergunta.”

B: A pergunta não foi pra você!

H: “Que seja!”


D: Não fique com medo. Esta sala foi especialmente projetada pra você e é totalmente segura. Não sei se você sabe, mas você tem alguns fãs e eles gostariam de te conhecer melhor. E também conhecer o seu companheiro, o Hades, se não tiver problema.

B: Pô, ainda bem, né? Eu não sei bem por qual motivo teria fãs, mas parece legal ter uma sala que me impeça de morrer. Não quero deixar ninguém triste.

H: “Você é imortal.”

B: Hades, deixa eu responder a pergunta do moço...

H: “Mas você tá mentindo!”

B: Não tô! Você vem com essa conversinha de imortalidade só até a hora de aparecer um anjo pra nos matar.

H: “Mas aí é morte matada, não morte morrida.”

B: Agora deu pra falar igual o Zé da quitanda?

H: “Aquele velho sabe das coisas.”

B: Sabe nada. Se podemos morrer, então não somos imortais. O certo é vida eterna.

H: “#@*#&!, essa geração de mortais é chata demais!”

B: Agora você tá falando igual o Anselmo da banca.

H: “Responde logo o cara pra gente sair dessa sala.”

B: Tô tentando. Você não deixa.

H: “Aí... Vai logo, fala aí sobre essa sua puta vida interessante.”

B: Cala a boca, vai.

H: “ZzzZzz.”

B: Que seja! Bem, o que falar sobre mim? Meu nome é Benjamin, né, mas me chamam de Ben — na verdade só a Lilian e meu Tio me chamam assim, mas eu não tenho muitos amigos mesmo, então... err, dá pra cortar essa parte? — eu sou de uma cidade no interior chamada Cinópe, tenho dezessete anos, moro na capital há algumas semanas. E... Ah, eu gosto de bolo de caixinha, apesar de que a minha mãe não fazia muito, mas quando tinha eu até lambia a bacia escondido dela.

H: “Alguém me exorciza daqui...”


D: Como é ser o receptáculo de Hades e a relação de vocês dois?

B: Ruim.

H: “Ótima, eu mando e ele obedece.”

B: Não é assim!

H: “Mas já foi.”

B: Ele tá falando de agora!

H: “Ah tá. Agora é uma merda, o moleque não sabe se colocar no lugar dele.”

B: Era muito melhor quando você falava como alguém da antiga.

H: “Você gostava?”

B: Era melhor.

H: “Vou aprender algumas gírias novas, então.”

B: Puts.


D: Espero que ele não me ouça, mas se você pudesse ser o receptáculo de outro deus do Olimpo, qual seria?

B: Vale morrer?

H: “Essa eu concordo!”

D: Essa pergunta vai pro Hades. Qual é o maior medo do senhor?

B: Barata voadora. Ah, era pra ele?

H: “O medo é um sentimento mais comum entre os mortais. Quando se chega a uma certa idade já não há muito o que temer. Já estive em alta, em baixa — inclusive, olha esse moleque, cara... Barata voadora, sério? — Alguns irmãos meus tinham medo de serem esquecidos. Não sei se também tenho isso.”


D: Benjamin, você pode assumir daqui. Qual foi a pior e a melhor sensação que você teve desde que descobriu ser o receptáculo do deus do mundo inferior?

B: Nossa, essa é difícil... Será que teve algo bom?

H: “Só pode tá brincando. Se não fosse por mim você ainda estaria com aquela doida da sua mãe.”

B: Não a chame de doida!

H: “É mentira?”

B: Não, não é. Mas é minha mãe!

H: “Dane-se que é sua mãe. Vai dizer que não gostou de ter saído daquela boca de porco?”

B: Tá, essa parte é verdade.

H: “Eu disse.”

B: Mas o resto é ruim. Não sei se você percebeu, mas o Hades é um deus desagradável. Pelo que ele diz, todo deus meio que é assim, então eu tô pensando só em virar ateu e aceitar que não há esperança.

H: “Não há um pingo de sentido nessa merda que você acaba de dizer.”

B: Ele fica me corrigindo.

H: “O mundo tá vendo que você não se ajuda.”


D: Conte-nos um pouco sobre o que você e o Hades podem fazer juntos. Qual é a extensão das habilidades de vocês?

B: Olha pra sua sombra. Imagina que dá pra enfiar a mão ali e puxar coisas. Então, é mais ou menos assim que eu faço. Lá dentro tem um arsenal de coisas, tipo umas lanças, uns objetos gr...

H: “Você vai falar tudo assim, de graça?”

B: Mas ele perguntou.

H: “E se o cara for um anjo querendo entender como nos destruir?”

B: Mas a gente é imortal!

H: “Destruir é diferente de matar.”

B: Aí fica difícil. Fala você então.

H: “Eu faço o básico. Como o corpo desse moleque tem a resistência de uma lesma, eu uso minha energia espiritual pra tornar a coisa pelo menos habitável. Um corpo mortal não consegue sequer pular de uma montanha sem se quebrar todo. Esse tipo de coisa não devia acontecer. Além disso tudo, tenho as gavetas das trevas, que o idiota começou a explicar e parou por que fala demais. É essa coisa que fazemos com as sombras sim.”


D: Você tem algum animal de estimação? Quem sabe um cão infernal?

B: Sim

H: “Não.”

B: Mas e o...

H: “Mais uma palavra e eu tomo seu corpo por uma semana.”


D: Como você se imagina daqui um ano se ainda estiver dividindo o corpo com o Hades?

B: Minha namorada, Lilian, sempre me fala em fazer terapia. Acho que vai ser o único jeito.

H: “Eu conheci o cara que inventou a terapia. Não vai funcionar.”

B: Espero, de verdade, que as coisas estejam mais tranquilas do que no caos de hoje.

H: “Concordo, mas sem terapia.”


D: Benjamin, muito obrigado pela entrevista. Hades, foi um prazer também. Espero que a relação de vocês fique cada vez melhor.

B: Ah, eu que agradeço. Seja lá quem for meu fã, diga que gosto deles, acho. Duas pessoas vivendo no mesmo corpo é complicado, mas com o tempo eu espero que a gente vá se ajeitando. Não é fácil, sabe.

H: “Obrigado pelas perguntas, mas se você quer milagres é melhor procurar o deus Cristão. Essa relação tá no fundo do poço e eu espero que não haja uma escotilha pra descer ainda mais.”

B: Que mal humor.

H: “Vambora logo.”

B: Ok, vamos.

Se quiserem saber mais sobre essa relação complicado entre o Benjamin e o Hades, podem conferir em Asas, Pingentes e Imortais (escrito por AJ Oliveira), disponível no Wattpad bem aqui.

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